
A grande oportunidade das organizações agênticas na geração de ROI com IA
A taxa de adoção corporativa da inteligência artificial atingiu patamares históricos. Contudo, a margem de retorno real permanece alarmantemente estagnada.
Segundo dados recentes da McKinsey, 88% das organizações já utilizam IA em ao menos uma função de negócio, mas apenas 39% relatam impacto mensurável no EBIT corporativo. Para agravar o cenário, o Gartner prevê que mais de 40% dos projetos de IA agêntica serão cancelados até o final de 2027, impulsionados por custos crescentes, falta de clareza de valor e controles insuficientes.
A IA traz modelos cada vez mais maduros e, ainda assim, as empresas não conseguem atingir o ROI (Return on Investiment) esperado. Qual é o problema afinal?
O problema real
Aplicar agentes inteligentes sobre processos e estruturas organizacionais desenhadas para a era pré-IA é repetir um erro conhecido: aplicar uma tecnologia do futuro sobre uma lógica de negócios do passado.
Simplesmente acoplar agentes de IA, copilotos e PoCs diretamente sobre a atual organização digital resulta em silos de sistemas e aplicações sendo substituídos por silos de agentes. A soma de experimentos isolados não gera, organicamente, uma empresa mais inteligente. Então, o que fazer?
Da organização digital à organização agêntica
A IA altera fundamentalmente a distribuição da inteligência nas empresas. Na organização digital, o centro era o software, em que se projetavam sistemas para servir a organização. Na organização agêntica, o centro passa a ser a própria empresa, seu conhecimento, seus papéis humanos, seus processos e sua arquitetura.
Nesse novo modelo, a unidade fundamental de valor deixa de ser o software entregue ou a plataforma implantada e passa a ser a capacidade organizacional.
Essas capacidades emergem do trabalho sinérgico entre equipes humanas e agentes inteligentes dotados de contexto, propósito, identidade e sua própria arquitetura interna de governança, que superam a visão reducionista do agente isolado de tarefas.
Os 4 pilares da transformação agêntica
Para sair da armadilha do investimento sem retorno e projetar a nova organização agêntica, as organizações precisam focar em quatro pilares estruturantes:
Cultura epistemológica e inteligência coletiva híbrida
Substituir o imediatismo do “problema-solução-código” pela disciplina de compreender antes de transformar. A produção de conhecimento compartilhado entre humanos e inteligências digitais deve anteceder a distribuição de IA pela empresa.
Design integral da organização
Transferir o foco da engenharia de software para a engenharia sistêmica. Através do design integral, é possível modelar a organização conectando quatro dimensões: ambiente, serviços, processos e arquitetura.
FluencIA agêntica e reconfiguração de papéis
O trabalho humano desloca-se da execução direta para a compreensão, criação, julgamento, curadoria e tomada de decisão responsável. O desenvolvedor, por exemplo, reduz o tempo gasto na escrita de código para focar na arquitetura do problema e na curadoria dos resultados.
Densidade de capacidade com baixa complexidade
Quebrar a equação histórica onde aumentar a capacidade operacional exigia aumentar proporcionalmente a estrutura, a equipe e a complexidade dos sistemas. A organização agêntica busca uma estrutura mais enxuta, porém exponencialmente maior em capacidade de realização.
O novo questionamento das lideranças
Agentificar a atual organização digital não produzirá ROI por si só. A IA amplia extraordinariamente nossa capacidade de execução, mas a escolha do futuro a ser construído permanece sendo um vetor estritamente humano.
A pergunta central para CTOs, CIOs e CEOs em 2026 deixou de ser “Qual é a nossa estratégia de IA?” e passou a ser “Que nova Organização Agêntica precisamos ser, e qual capacidade organizacional vamos redesenhar primeiro?”
Quer aprofundar nesses conceitos e responder a esse novo questionamento? Leia o e-book A grande oportunidade de IA para os negócios, escrito por Romulo Cioffi, Chief AI and Innovation Officer na Squadra.


