
Open Finance sem jornada contínua é só uma infraestrutura cara
Em média, cada brasileiro se relaciona com cinco instituições financeiras, segundo a Visa (2024), e apenas 8% concentram suas contas em um único lugar.
O Open Finance já resolveu a parte técnica de compartilhar dados. A pergunta que o setor ainda não respondeu é: por que o cliente continua trocando de aplicativo para fazer o que deveria ser simples?
Em talk no palco Business Suite do Payment Anyway 2026, Claudia Campolina, IT Executive Manager no Banco Inter, falou sobre como estão lidando com esse desafio internamente. Quer saber mais? Continue lendo.
Cinco contas, e ninguém tem a visão completa
Cada instituição enxerga uma fatia da vida financeira de quem atende.
Um banco vê o cartão, outro vê o investimento, um terceiro vê o crédito. Ninguém tem a imagem completa. Decisões sobre limite, taxa e oferta acabam sendo tomadas com informações parciais.
Mesmo quando o dado começa a circular, a jornada costuma quebrar.
Pense na tarefa mais básica: trazer dinheiro de outro banco. No modelo tradicional, o cliente sai do aplicativo, faz login, digita a senha, valida um token, confirma a transferência e só então volta para ver o saldo entrar.
Cada etapa é uma chance de desistência. A infraestrutura existe, mas o trem pára em todas as estações.
Pelo menos, os trilhos já estão prontos
Regulação, APIs, consentimento, segurança e governança formaram o Open Finance, e a participação obrigatória das instituições ampliou o alcance do ecossistema. Mas o trilho sozinho não gera valor. O valor surge quando pessoas, dados e serviços circulam sem interrupção.
Isso pede uma mudança. Em vez de vender crédito, cartão e investimento como catálogos separados, a instituição precisa partir do que o cliente quer resolver: comprar um imóvel, pagar uma faculdade, trocar de carro, organizar as finanças.
Os dados compartilhados deixam de ser um arquivo técnico e viram contexto. É aí que a inteligência artificial faz sentido: como a camada que transforma contexto em decisão, indicando qual caminho é o mais adequado para cada pessoa, naquele momento.
Os trilhos já estão construídos. A IA ajuda a definir o destino.
O cliente não deveria trocar de trem no meio da viagem, e a instituição também não pode interromper o serviço para evoluir.
O que muda na prática?
A primeira mudança está no uso do dado. O Open Finance é a base, mas o ganho real aparece no que se faz com a informação recebida, sempre com consentimento e segurança. Dados compartilhados pelo cliente podem complementar o score, melhorar as taxas de empréstimo e ampliar limites de cartão e de crédito.
A segunda mudança é eliminar o redirecionamento. A autorização deve acontecer uma vez, no mesmo aplicativo. Quando o cliente consente e o saldo entra direto, sem login, senha e token repetidos em outro ambiente, reduzindo as taxas de abandono.
A terceira é levar o serviço para o ponto de decisão. Pix e crédito precisam estar onde a compra acontece: na carteira, na aproximação, no marketplace, no ERP. Com o contexto autorizado, dá para oferecer crédito na hora, na fatura, no boleto ou na parcela, sem que o cliente saia do fluxo.
A quarta mudança é pensar por necessidade, com IA e limites claros. A IA precisa responder a perguntas concretas:
Qual oferta é certa para essa pessoa?
Qual crédito tem condições reais?
Qual investimento combina com a vida financeira inteira?
Qual oferta faz sentido agora?
Qual é o melhor momento para falar?
Saber a hora de calar é tão importante quanto isso. Frequência de contato, transparência e consentimento revogável fazem parte da execução, e protegem a confiança que sustenta todo o modelo.
O futuro é um destino, não um menu
O próximo passo do setor não é um catálogo melhor de produtos. É um assistente financeiro de verdade, que entenda renda, comportamento, objetivos e contexto, e que atue antes que o cliente precise pedir.
Um menu espera o cliente escolher. Um destino o leva até lá.
Ter muitos dados não basta, porque eles não geram valor sozinhos. O valor aparece quando a inteligência está conectada a jornadas que o cliente consegue concluir do começo ao fim.
Quantas jornadas do cliente hoje terminam sem que ele precise sair do seu produto? A Squadra, através da Genius AI, pode responder a sua pergunta. Fale com nossos especialistas.


